Assisti a palestra da escritora e novelista Nigeriana Chimamanda Adichie, há alguns anos e desde então, passei a prestar mais atenção nas histórias que ouço e principalmente, passei a ler varias versões sobre a mesma história.
Foi uma palestra de pura “provocação” sobre o que realmente você conhece da sua cultura, do seu povo, do seu País, quiçá de você mesmo.
No vídeo, a escritora apresenta a África como um império que dominou o mundo por séculos e que assim como os impérios Romano e Egípcio tiveram a ascensão e a queda. Incentivou os ouvintes a buscarem na literatura africanas maiores detalhes sobre a forma de perceber a vida dos africanos. Afirmou “que é necessário ouvir a história contata pelo colonizado e não apenas a história ‘‘oficial”, isso não significa a verdadeira, tampouco a única história, na verdade é apenas a visão do colonizador escrita e editada.
Trazendo a palestra da novelista para nossa realidade brasileira, é como se parássemos de estudar os livros de história que até o inicio de desse século contaram a história e formação do Brasil e ouvíssemos as histórias dos indígenas contando como seus antepassados perceberam a chegada dos portugueses nesta terra. Para trazer a conversa para o século XXI, o grande desafio de hoje é ouvir, ouvir de verdade, uma escuta ativa sobre como as percepções de mundo e de fatos podem ser diversas e a partir disso formularmos uma ideia mais plural, respeitosa e produtiva para os vários atores envolvidos no processo de criação de uma sociedade melhor em nosso país. Acredito que o grande erro de quase todos que ocupam posições de destaque e influência é o desejo de que todos pensem como ele, que valorizem as suas histórias, rituais ou similares, suas crenças sobre a vida, morte, fé e amor.
Que possamos nos abrir aos vários pontos de vista. Sinto-me um privilegiado do ponto de vista cultural, pois vivi em três países, morei em metrópoles e pequenas cidades e isso me fez entender que, por mais que possamos nos empenhar, as nossas percepções são apenas fotografias, limitadas em tempo e espaço. Isso me faz entender que a simples comemoração de mais sete dias de sol por uma família para curtir o litoral pode ser o desespero de uma família de agricultores no interior. Que um ataque de um país sobre o outro, desencadeando centenas de efeitos colaterais como a troca de mísseis altamente destrutivos, conforme está acontecendo hoje entre EUA e Irã com pitacos do Brasil, tem os mesmos princípios. O que difere é o poder do indivíduo que toma a decisão.
Se orientar por uma história única contata sempre pelas mesmas pessoas, da mais complexa a mais corriqueira, foi, é e continuará sendo um grande risco para nossa complexa sociedade.
@everton.gaide.escritor

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